Vejam esta denúncia de um torcedor.
Isso é seríssimo e foi recebido e postado por por Bruno Braz, colunista do LANCENET, em http://www.lancenet.com.br/blogs_colunistas/arquiba
Segue o texto, copiado do site devidamente registrado à cima, e colado aqui, só para divulgação...
---Amigos, segue o email enviando por um torcedor do Corinthians, que não quis se identificar, mas que ficou indignado com os absurdos que ocorreram na partida entre o Timão e o Botafogo pelas semifinais da Copa do Brasil. Confira o desabafo:
"Prezado Bruno,
Acompanho os blogs do lance quase diariamente, da mesma forma que evito faltar aos jogos do Corinthians. Como você tem escrito sobre as encrencas que a torcida passa, e realmente acredito que atualmente os blogs (sérios e confiáveis) são a melhor fonte de circulação de informações, resolvi falar sobre alguns fatos recentes pelos quais passei.
1) cambistas - Sou advogado, tenho rotina cheia, namorada e diversos outros compromissos que não me permitem passar o dia numa fila imensa, sujeito à má educação de torcedores e policiais, à desorganização e o desrespeito dos organizadores de espetáculos. Por sorte, tenho amigos que se submetem a tal suplício, portanto consigo sempre minha entrada.
Contudo, desde que a torcida do Corinthians abraçou a equipe no final do ano passado e passou a lotar estádio e tentar evitar a queda, começou a festa dos cambistas. Alguns exemplos recentes mostram o que a empresa organizadora do evento vem fazendo: no Corinthians X Botafogo, os 30 e tantos mil ingressos de arquibancada do Morumbi acabaram em duas horas.
Até aí tudo bem, mas consideremos que só haviam três pontos de venda na cidade, cada um deles com duas cabines abertas, e que cada venda leva de dois a três minutos, por conta da impressão do bilhete, que ocorre in loco. Também, a venda era limitada a dois ingressos por cabeça. Com isso, torna-se impossível acabarem os ingressos nesse tempo.
Mas eu queria estar ali, e morri com R$50,00 (num ingresso de R$10,00) no paralelo, correndo o risco de não passar na catraca. E quando cheguei em casa e fui ler o verso do meu ingresso, notei que fora impresso na data do início das vendas, porém duas horas e meia antes da abertura das cabines (Ressalto que os ingressos são impressos no momento da venda!).
Sendo assim, decidi conversar com cambistas para conhecer o esquema, o que fiz quando comprei meu bilhete para a final quarta passada. Não pude entrar na fila, morremos com mais R$50,00, e como precisava de vários ingressos, conversei com um cambista (que estava morrendo de medo de eu roubá-lo) e marquei de nos encontrarmos em um bar, em Pinheiros, pela segurança minha (muita grana nesses lugares não é boa coisa) e dele (não mostrar tantos ingressos abertamente).
No local, tomamos uma cerveja, puxei assunto, e fui informado que o valor é inegociável, uma vez que o diretor da empresa que faz os ingressos repassa a terceiros por R$10,00 a mais, e o cambista pega os ingressos já por R$30,00.
Eu sei que boa parte é nossa culpa, porque se um cara desses toma um prejuízo de mil e tantos reais a cada jogo (sim, um boicote) isso acaba. Mas aí teríamos que ficar em casa, e na hora que bate o amor pelo clube é difícil abrir mão disso...
2) Polícia - é incrível o que esses caras conseguem fazer.
* Na entrada, saí do escritório e fui buscar meu pai, cinqüentão, mas ainda filiado à Fiel, e fomos, dessa vez de arquibancada azul, visto que o cambista não tinha amarela. Cheguei e morri com R$15,00 para parar o carro na rua, ao lado de um policial boa gente que, quando fui comentar com ele sobre o ocorrido, me mandou tomar sabemos onde e não encher o saco se não passaria o jogo guardado. Aí fui alertado pelo próprio guardador para não provocar os "homens", pois eles estavam ali justamente pelo acerto.
Na entrada, fila única pra uma arquibancada que vai ficar lotada. E para organizar a fila, borracha em quem não está no local adequado. No aperto, teve um infeliz que foi questionado do porque de dar borrachada na torcida e, provavelmente por não saber falar, argumentou lançando gás de pimenta na fila. Sorte que meu pai não caiu no chão, porque ser pisoteado na correria é a coisa mais provável ali.
Depois do jogo, tradicionalmente esperamos para ir embora com o estádio vazio, exatamente pra escapar da multidão. Mas vieram dois brutamontes de arma na mão dizer que o jogo acabara, não era pra ficar ali.
Fomos pro tumulto e encostamos numa barraca próxima à rampa, para tomar uma cervejinha e falar do jogo até o trânsito diminuir. Então a guarda montada jogou os cavalos na multidão mandando todos para casa, ao tempo que um policial lançou duas bombas de lacrimogênio do lado oposto: ou seja, porrada ou gás, pode escolher.
Eu imagino o temor que esses caras tem de enfrentar em dias como esse. Mas ali ocorreu tudo em situação de festa, em áreas em que muitas famílias permaneciam e em oportunidades que o risco de algo sério acontecer era zero.
Peço desculpas pelo email longo, mas é um desabafo de torcedor, que resolvi fazer junto à imprensa, e quem sabe alguma coisa melhora."

Nenhum comentário:
Postar um comentário